quarta-feira, 1 de outubro de 2008

O casamento e o par de sapatos!


Um dia destes passado,em que tudo se passa e que passou passando, cá o Zé passava por um destes passeios, passeando em passo pacífico quando, dá de caras com um belo par de sapatos, que lhe piscaram o olho de cima de uma prateleira, na montra de uma loja! O Zé ficou deslumbrado! Foi amor à primeira vista! A vontade do Zé, eivada de desejos quase libidinosos, imaginava já um par de meias novas, de uma marca especial, com as quais presentearia os pés quando, numa união íntima, fizessem cumprir a vocação daqueles preciosos objectos, deslizando suavemente, rua fora, num jubiloso sapateado de fulgurosa alegria!
Entrei na loja. Desloquei-me junto deles e, ali ao pé, eram ainda mais belos, mais preciosos. A todo o preço teriam que ser meus!
Abordei a funcionária, que me informou o quanto custariam, o quanto de sofrimento monetário teria que despender para me unir àquele belo par de sapatos.
Com esforço, alegria, jubiloso, comprei o par de sapatos. Nos primeiros tempos, tudo foram alegrias: sapatos novos, toda a gente olhava para o Zé, era um orgulho.
Porém, não muito tempo depois, um dos sapatos começou a apertar-me. Das duas uma: ou o sapato encolheu, ou os pés alargaram! Depois de um foi o outro. O andar começou a ser mais custoso.
Uma belo dia, passando por outra montra, vi um par de sapatos ainda mais bonito. Resultado: fui à sapataria onde tinha comprado o primeiro par, abordei a funcionária e disse: Cá o Zé está farto dos sapatos que aqui comprou. Por isso, venho aqui para lhos devolver. Faça o favor de ficar com eles de volta!
A fulana, toda ufana, olha-me de alto a baixo e irritada, empertigada, quase zangada, responde: Mas o senhor pensa que está onde? Acha que vem para aqui brincar com coisas sérias? Um contrato de compra e venda é algo muito sério. Acha que se pode deixar de qualquer maneira aquilo que se comprou? Onde pensa que está? Que mundo é o seu? Se queria qualquer coisa para usar e deitar fora, em vez de sapatos, tivesse casado! Aí sim, podia agora, sem qualquer razão, acabar com o contrato! Aliás, foi o nosso grande FILÓSOFO quem assim o decidiu!

O que o o senhor fez foi comprar um par de sapatos, não foi um casamento! O que o senhor fez foi uma coisa séria, não foi uma brincadeira qualquer!

Cá o Zé, verificando que a senhora marçana tinha toda a razão, decidiu ter mais cuidado, não agir levianamente. Para a próxima, se é para usar e deitar fora, casa-se a gente, não compra um par de sapatos!

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