
O Zé deu-se ao trabalho, num intervalo de férias, de passar um olhar de relance pelos periódicos. É sempre difícil de fazer uma escolha, uma vez que uns são movidos por interesses políticos; outros, pela manifesta falta de rigor, não nos inspiram credibilidade; outros ainda, sobretudo os regionais, ou têm um carácter demasiado bairrista ou são apologéticos de pessoas ou instituições, privando-nos, assim, de uma informação isenta ou imparcial.
Qual não é o espanto quando lê, num desses periódicos regionais, que um artolas, armado em fino, levou na cantiga uma data de abades do Minho que queriam comprar um livrito sobre a vida de Jesus - a ver se, finalmente, sabiam sobre Ele alguma coisa - e acabaram por cair no conto do vigário! Ele há coisas!!! A ser verdade, o que não sabemos, não deixa de ser engraçado: os abades caíram no conto do vigário! Sinais dos tempos, é o que! Ora se um artolas me aparece com um papel vindo de casa do chefe em que é dito que não se opõe à divulgação de uma obra, o que é que me custa a acreditar que aquilo tem tanta importância como a Bula "Manifestis Probatum"?
Além disso, se os livros custam 125 euritos e eu tenho a hipótese de ficar com o dobro dos livros pelo mesmo preço - claro que para os oferecer todos aos paroquianos e amigos que querem conhecer a vida de Jesus!!! - porque carga de água benta é que não vou aproveitar este momento de ... evangelização?

Bem, o jornalista lá diz "...o negócio era tentador...". Mas enfim: Nosso Senhor também venceu as tentações!
Agora, já que o vigário deu sopa aos abades, polícia com ele, que é o demónio!
Sempre quero ver o que isto vai dar. Das duas uma: ou há para aqui marosca da grossa e lá vai o braço secular ter que fazer justiça, ou então o vigário não fez vigarice e vai tudo rente, nem as avé Marias do fim se salvam!
Vamos a ver se há cenas do próximo capítulo, para a gente acompanhar. Cá o Zé Ferrão vai ficar atento a ver se sabe mais alguma coisa!
O que espera é que o tal periódico regional não queira julgar na praça pública o que compete à justiça! Não acredito!!! Não é seu costume!!!
Mas se for tudo rente... não há dúvida: para os espertos lá está o Rafael Bordalo Pinheiro:
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