quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Os Jogos olímpicos e o Zé Tuga

Não é, nem de longe nem de perto, das coisas mais digestivas sobre as quais o Zé escreve. De facto, para além de perceber pouco ou nada de desporto, nunca foi uma área que lhe diga muito. Mas, enfim,não há necessidade de ser muito entendido para concluir que algo não anda bem na mentalidade do Tuga, patriótico futeboleiro, que tem malhado com força nos atletas que estão a representar Portugal na China. Ao que parece, cá o povo, no velho burgo, tem ficado com os olhos em bico porque os nossos rapazes e as nossas raparigas não têm consigo resultados por aí além! O chefe da banda olímpica portuguesa parece que se vai demitir - ou já o terá feito! A tropa arregimentada tem mandado umas bocas esquisitas sobre a sua participação: uns parece que estão lá por favor, outros estão todos contentinhos só porque foram; outos não sabem muito bem onde estão e, provavelmente, outros estão mortinhos por regressar aos rojões e ao caldo de couves com broa de milho, deixando o arroz comido com paus aos amarelos!
Pois é! O que é facto é que a prestação das nossas gentes não tem sido lá grande coisa. Será que é por ganharem pouco? Os dos futebóis sempre arrecadam mais umas coroas! Mas o zé tuga, apesar de barafustar, nem pos bandeiras republicanas às janelas e varandas - onde ficam até apodrecer, como a república - nem encheu as praças e cafés com televisores gigantes para transmitir as provas em directo. Parece-me que somos mais futeboleiros que desportistas! É pena que só queiramos medalhas olímpicas porque as vemos fugir para os outros, para os que se esforçam e levam as competições a sério, para os que treinam para dar o melhor e esforçam-se ao máximo, sem piadas torpes e "bocas" palermas sobre as horas de sono e horários de funcionamento.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Coisas do arco da velha! A ser verdade... que grande galo!!!


O Zé deu-se ao trabalho, num intervalo de férias, de passar um olhar de relance pelos periódicos. É sempre difícil de fazer uma escolha, uma vez que uns são movidos por interesses políticos; outros, pela manifesta falta de rigor, não nos inspiram credibilidade; outros ainda, sobretudo os regionais, ou têm um carácter demasiado bairrista ou são apologéticos de pessoas ou instituições, privando-nos, assim, de uma informação isenta ou imparcial.
Qual não é o espanto quando lê, num desses periódicos regionais, que um artolas, armado em fino, levou na cantiga uma data de abades do Minho que queriam comprar um livrito sobre a vida de Jesus - a ver se, finalmente, sabiam sobre Ele alguma coisa - e acabaram por cair no conto do vigário! Ele há coisas!!! A ser verdade, o que não sabemos, não deixa de ser engraçado: os abades caíram no conto do vigário! Sinais dos tempos, é o que! Ora se um artolas me aparece com um papel vindo de casa do chefe em que é dito que não se opõe à divulgação de uma obra, o que é que me custa a acreditar que aquilo tem tanta importância como a Bula "Manifestis Probatum"?
Além disso, se os livros custam 125 euritos e eu tenho a hipótese de ficar com o dobro dos livros pelo mesmo preço - claro que para os oferecer todos aos paroquianos e amigos que querem conhecer a vida de Jesus!!! - porque carga de água benta é que não vou aproveitar este momento de ... evangelização?

Bem, o jornalista lá diz "...o negócio era tentador...". Mas enfim: Nosso Senhor também venceu as tentações!
Agora, já que o vigário deu sopa aos abades, polícia com ele, que é o demónio!
Sempre quero ver o que isto vai dar. Das duas uma: ou há para aqui marosca da grossa e lá vai o braço secular ter que fazer justiça, ou então o vigário não fez vigarice e vai tudo rente, nem as avé Marias do fim se salvam!
Vamos a ver se há cenas do próximo capítulo, para a gente acompanhar. Cá o Zé Ferrão vai ficar atento a ver se sabe mais alguma coisa!
O que espera é que o tal periódico regional não queira julgar na praça pública o que compete à justiça! Não acredito!!! Não é seu costume!!!
Mas se for tudo rente... não há dúvida: para os espertos lá está o Rafael Bordalo Pinheiro:

sábado, 9 de agosto de 2008

Portugal e seus brandos custumes! Nem a Santa Igreja Escapa!


Há alturas em que não sabemos muito bem em que país estamos, em que mundo vivemos ou se as coisas não estarão de pernas para o ar! Quem, como eu, ainda se lembra de ouvir chamar a Portugal país de brandos costumes, começa a ter dúvidas de que essa adjectivação ainda seja aplicável a este rectângulo plantada à beira mar e que será - em poucas léguas quadradas - pertença do povo luso! As televisões, as rádios, transmitiram em directo uma situação digna de um filme americano e que, outros como eu, pensavam só ser possível lá nesse país pouco mais que ignorante, sem história nem identidade, a que chamam a terra do Tio Sam! Talvez por ser a terra da democracia - eles assim reivindicam a paternidade - é comum haver para lá umas traulitadas, uns tiros e uns reféns. Agora, cá na terra do vinho carrascão, do fado e dos toiros, é coisa inaudita e que só pode significar duas coisas: ou estamos no mau caminho, na senda do vale tudo - que é parecida com a senda do Vale e Azevedo - em que se perdeu o tino, ou então é mais um claro sinal de uma profunda crise social, mais importante que a crise do estatuto dos Açores, e que há-de redundar, doravante, em coisa ruim!
Uma coisa é certa: os nossos polícias mostraram estar à altura para solucionar a questão. Devo dizer que apreciei a forma pronta e expedita com que intervieram, ainda que deva lamentar um triste desfecho saldo em um morto!
Espero que os politiqueiros deste país vejam estes sinais, pronunciem-se sobre eles, e não façam como a avestruz.
Isto está mau, meus senhores, é o que é! Não há dinheiro, o emprego escasseia; a paz social é abalada e, ao que parece, nem a Santa Igreja escapa.
Parece, ao caso, que há para aí uma população a querer chegar a roupa ao pelo - como quem diz - ao Arcebispo de Braga porque lhes transferiu um pároco que, ao que consta, até terá pedido para sair. vai daí, o zé povinho, não está com mais medidas: já que há crise, faça-se crise na paróquia; já que há protestos, proteste-se contra o Bispo! Ora tinha lá ele alguma coisa que nos tirar o senhor Abade? Ora o nosso senhor Abade tinha alguma coisa que dever obediência ao Bispo? Ele deve é obediência cá à gente, que "a gente é sabe"! Religião às arrobas, caros leitores! Isto é que é povo, carago: contra o Bispo, que nos tira a nossa religião, marchar, marchar!

E eu, que até tinha dificuldade em entender os não católicos!!!!

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Portugal suspenso nas importâncias do Sr. Presidente da República!


Quem conhece cá o Zé Ferrão sabe que ele tem um "grande amor" à república e aos valores que ela representa!!!! Sobretudo porque só numa república madura, séria e de profundos valores é possível acontecer o que vimos no dia 31 de Julho de 2008. Pela manhã, ao romper da aurora, jornais, rádios e televisões começam a informar o zé parolo: "o Senhor Presidente da República vai interromper as férias - vejam lá bem o pobre!! - para fazer uma solene comunicação ao país". Ficou toda a gente em suspenso! Que diabo de música será que o Cavaquinho quer tocar? Será que está cansado de filosofia? Será que aconteceu alguma coisa que o leve a dar férias prolongadas aos deputados, ao governo e ao primeiro? Será que se descobriu petróleo no Beato, como me dizia um amigo, ou no Algueirão? Será que decidiu vender o país aos árabes ou aos espanhóis? Será que se zangou com a esposa, com os empregados de S. Bento ou com o motorista e vai lançar um concurso público para arranjar substitutos? Será que quer propor que o bolo rei passe a chamar-se bolo presidente? Será que vai decretar que o bolo rei seja substituído pelas cavacas, em honra de alguém?
Enfim, às oito horas da noite saber-se-ia qual seria o grande acontecimento que fez andar o país em suspenso. E tal foi a importância da coisa, tal o empenho dos cidadãos que o dia passou-se em profunda reflexão, trabalho árduo, sem conflitos sociais, sem furtos, sem roubos, sem corrupção, sem excessos de velocidade, sem ronha, com o cumprimento dos horários de trabalho, com o zelo e o empenho necessários a sustentar os pilares da senhora república cujo presidente, na sua bombástica comunicação, poderia vir a fazer tremer.

Eis, pois que são chegadas as 20 horas! Luzes, microfones, som, câmaras: acção!
O Senhor Presidente da República anuncia a todos os devotos, suspensos e ansiosos portugueses que está danado porque há para aí uns senhores que queriam fazer uma lei - que entretanto o Tribunal Constitucional já tinha chumbado - que lhe queria retirar poder, obrigá-lo a consultar não sei quantas pessoas para dissolver não sei o quê e transformar os Açores numa coisa qualquer, quem ninguém entendeu muito bem, e que ele acha que não devia ser porque ... qualquer coisa conjugada com não sei que mais e pronto!!!
O diabo foi o que se lhe seguiu! Ora se toda a gente tinha andado suspensa; se todos os cidadãos queriam, desejavam ardentemente beber o preciosíssimo cálice que o mais alto representante da coisa pública tinha para servir; se se tinha passado o dia à espera daquele momento excelso na vida da nação, que raio de coisa é que se havia de dizer daquele momento ... enfim... que... pois... mais não foi que uma espécie de pública manifestação de um menino birrento e aborrecido porque lhe queriam tirar um chocolatinho?
Fez-me lembrar a história do menino mentiroso, que, mentindo, tantas vezes gritou a lobo e fez crer ao povo que estava lá o bicho que, quando o bicho veio mesmo, ninguém lhe acudiu e o lobo acabou por comê-lo!
Para que diabo tanto segredo, tanto suspense, tanta cantiga! Se o primeiro Magistrado da Nação tem esta atitude numa coisa que podia ter feito por escrito em documento dirigido à Assembleia da República ou aos cidadãos em geral, quando necessitar que o país o ouça em coisas verdadeiramente sérias e que devam ter importância de comunicações em directo ao país pela TV e pela rádio o zé faz-lhe o manguito!

Ora aí está mais uma razão para o Zé Ferrão admirar a república e as suas importâncias!!!!